sexta-feira, 1 de agosto de 2008

a minha vida por uma espera


Algumas pessoas seguem contra-maré e aindam enviam cartas. Eu sou um delas, mas para receber uma carta em vez dum email (rápido, fácil, indolor, pouco valor) precisa ser uma pessoa como a minha vózinha que além de merecer o tempo todo, ainda não aderiu aos meus tecnológicos. Aproveito para enviar-lhe coisinhas dentro do envelope, que nunca seriam mandadas por email porque a matéria ainda não desintegra e viaja em bites.

O tempo de escrita não é nem mais o mesmo. Hoje sou muito mais rápido a escrever com um teclado do que com uma caneta, que além do mais tem a preocupação de ser legível. Depois o tempo de carro até o correio mais próximo que nunca é tão próximo. Em enveolope, papel, tempo de ida ao correio, selo e tempo de espera no correio: a carta vai com valor acrescido, será que alguém nota isso. Talvez por isso ainda gostemos de receber cartas, "alguém despendeu tempo nos nossos correios para mim".

Os correios tem se tornado mais agradáveis. No meu tempo era um lugar empoeirado com fila de espera e funcionário antipáticos. Se pouco coisa mudou em termo de funcionários e espera, pelo menos os espaços estão ficando cada vez mais "criativos". Esta semana fui enviar uma carta na agência mais cheia do Algarve em tempo de verão. Além de um amável banquinho, tinha um monte de livros expostos para vender. Eu acho que foi uma óptima estratégia de marketing. Ficamos Começamos por ler o livro na espera interminável de pagar o selo, e acabamos por levá-lo porque não dá tempo de lê-lo. Eu acho que o correios devem é vender livros grossos como Equador e mais instigantes, senão acabamos por ler o livro todo enquanto esperamos.

Estava sentado num banco, consegui um, cheio e livros do estilo do Dragan Dabic e coisas do tipo "Aproveite seu Tempo". Sinceramente, os correios tem apostado num excelente marketing. Difícil será quando prestarmos atenção nos livros e resolvamos não escrever cartas para aproveitarmos nosso tempo sem esperar. (in)Felizmente, sempre há humanos para quem vale a pena esperar um bocadinho mais.

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